quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Desculpa

Vais embora. Uma mensagem de boa noite que sabe a pouco. E venho aqui, escrever, transmitir palavras que não me dizem nada. Palavras simples de sentido nenhum. E o amor também devia ser simples, eu, tu o mundo. Simples.
O passado insiste persistir e perpetua-se ao do que da memória respira no eterno longínquo. O nosso eterno, mas longe.
Perdi-te, porque me perdi, e não posso devolver-te nada do que te dei sem oferecer resistência.
Desculpa.
Pedirei eternamente que me desculpes. Mas já não te quero contida na alma que te quis incondicionalmente. Doeu, é passado, mas fere presentemente; mas ainda vivo por ti.

Nada será vivido com outro ser, nada será tão bom, mas nada repetir-se-à. Permaneço preso a um passado que me acorrenta. É isso, acorrentado, encurralado. O passado entre uma vida contigo.

Amo-te. Desculpa.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Foste embora, mas estás aqui

Partiste, apenas por umas meras centenas de quilômetros, mas estás aqui. Esqueço o telemóvel, por onde me é possível falar-te, mas ele toca e grita por ti. Não esqueci.
Ainda durmo com a tua almofada ao meu lado, ainda que não a vás ocupar em breve. Ainda não te perdi o cheiro de todas as tardes de verão que ocupaste, que preencheste.
Mudei o quarto: a cama, a secretária, o guarda roupa, o mesa de cabeceira. Nada mudou, respiras bruscamente pelas paredes e remetes àquilo que vivemos.


Chego até a sentir-me meio estupido porque me inibes a fala, roubas-me a expressão, a sanidade e desdenhas tudo o que calmo me torna.


Às vezes até que te odeio. Odeio-te por não me completares, mas por me transbordares.
Odeio-te de tanto te amar e sabe tão bem como mal recordar-te nas horas vazias.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Deixa as metades, faz o que quiseres, MAS AMA

Abandona tudo o que não queres, todas as metades que não desejas.
Ama na íntegra e grita o mundo pelo peito fora. Sai à rua e refaz de maneira diferente. Grita e desdenha, mas ama.
Percute tudo o que guardas dentro de ti e pede a eternidade a quem tenha o mundo para te oferecer, mas ama.
Ama quem partilha as tristezas do mundo, ama quem te faça sentir a única nos 7 bilhões, ama quem seja o chá na constipação de Inverno, ama quem seja a tarde de piscina no calor exuberante de um Verão, ama quem seja o filme, as pipocas, o chocolate quente da tarde mais triste da tua vida, ama quem seja a guloseima irresistível da dieta que começaste no dia anterior, ama hiperbolicamente até que doa. Ama, ama não-metades, ama tudo, com tudo, ama até te sentires embeber na saudade, sequencialmente, incondicionalmente. Ama, comete o erro de ambicionar cegamente.

Ama sem te limitares e assustares. Faz como entenderes, MAS AMA, porque mesmo que um dia acabe na solidão obscura do mundo, sentiste o que meio universo não soube provar.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Veneras em repouso

Percute-me e abandonas o real em sossego. Respiro e pouso. Relembro o sabor insípido de tudo o que beijamos. Relembro o fictício punhal gélido que te coloca em movimento e peço que expurgues o irrevogável traçado na resposta palavreada em que te embalo.
Desdenho e reponho em claro branco e desalmo-me no testemunho em que dificilmente te pronuncias.
Cubro o que de intocável me é e chegas-me sobre eloquência do sensível e restas de um modo que me surpreende.
Pouco me é o que constitui para te conter e vives em inquieto que estronda ao sentir do mundo que morrerá por descobrir. Permito-me reclamar-te de todo o feitio e respiras à beira do que não deteto, do incapaz de influenciar e do que me foge ao toque das mãos. É-me perpétuo a necessidade de conter enquanto ficas, enquanto veneras em repouso.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

À alma não lhe convém o sentido

À alma não lhe convém o passível de ser sentido. Repara e pára, gélida e em sossego. Repensa e respira. Desentranha absolutamente a adrenalina que me corre as veias de todas as formas possíveis de o fazer. Desdenha e repercute-me tudo o que não te é possível transmitir. Pele incapaz de, espiritualmente, me possuir. É estrondo violento que me recorre o passível de ser suportado e decorres no fluxo natural do silêncio que me conduz à introspecção irreparável da suficiência.
Abandonas euforia quando tudo à calma se assemelha e ao pânico que também vem, a calma incapaz és de refutar.
Tenho sentido a decadência que bate à porta no alimento fraco que mascara a impossibilidade pura e diária do enegrecido na podridão virtual da nossa sede.
O universo reduz-me ao segredo complexo do que nunca possuí, testemunho o ínfimo que teima em permanecer-te e que pouco cataboliza no grito que à alma me reclama.
À alma, ao sentido que pouco lhe convém.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Demasiado intimo para se transmitir

É eloquente. Respira, fala, ri e retira-me todo o chão em que me sustenho.
Relembra-me extravagância que me totaliza a adrenalina e diverge do que esperei suportar. Fito-te exigir pelo permanecer mais próprio de ser. Fito-te relatar tudo o que meus ouvidos sedem para ouvir. Espero. Espero e embebo-me na decadência prematura que nunca te viu chegar. Embebo-me na expiração ofegante que te resgata na presença da minha própria palpitação cardíaca.
Fazes com que todas as palavras fujam de mim, palavras demasiado intimas para se transmitirem.

sexta-feira, 27 de março de 2015

Pressa repentina de ti

Respiro. Vivo-te na pressa constante do desejar. Vivo-te na inquietação sóbria que o absoluto desejo me permite. Expulso-te pelas palavras. E sobrevives. Sobrevives na esperança de me sobressaltar o ser. E contento-me. Contento-me com a ínfima ideia de te ver chegar.
Quero-te. Quero-te na estupidez irredutível do mundo e no Fado que outrora erradamente nos vincou. Quero-te pelo corpo diáfano à frieza inverosímil do mundo que finjo tocar com todas as palavras insolentes que me são permitidas.
Viveria sem ti. Mas pelo sim, pelo não, vai permanecendo. Vai alimentando a pressa repentina do querer-te que me consome algures onde te fito na introspecção que te aviva à alma.

terça-feira, 17 de março de 2015

À insónia repleta de ti.

O monstro percorre à queima roupa e retira-me do sono profundo. Acordo, palpito por ti no vazio que me preenche os lençóis e sinto-te na saudade infinita que me incorpora. Escapas-me pelos dedos e perco-te pela luz do dia. Perco-te em aflito chamamento pela tua necessidade, que procura tornar consciente na pele que te reveste.
Reveste-me, cala-me e vai ficando por mim. Fica-me, enquanto te grito o peito ao mundo no desdenhar suave dos cabelos e dos lábios. Aproxima-te e permite-me o tocar.
Desequilibro-me no chão que me foge e fito-te infimamente na vontade de beijar que te entrelaça e respiro do próprio desejo, do que me consome na insónia repleta de vestígios, das lembranças que me deixas e que não somem.

Vincos de lembrança

Invoco espírito foragido que insiste no relembrar-te. Espírito cantante que me soa a ti. Espírito que invade abismo atordoado de sede.
Sede.
Sede, de um pouco de ti e de te ver permanecer. Espírito errante que em ti desvenda ponto fixo inverosímil, mas que oferece esperança ao desejo.
Procuro-te, preciso-te na fragilidade nua da alma. Sou um todo insuficiente para toda esta capacidade de te possuir. Mas vou tentando. Vou procurando por ti na vida que me recusa a estabilidade e vou relembrando aquilo que nunca marcaste, no sentir ambíguo que não me deixaste e no paradoxo do todo que me abandonaste, que me leva de volta para ti.

"Rendo-me-te"

Acabo por me render. A esperança cessa-me no poder estapafúrdico do querer. Sinto-te na introspecção sádica à pele que me gela de arrepio. Alimento-me do pairar nostálgico que se faz pesar na consciência que te tenta trazer.
Indigno por ti entre a mistura divergente da solidão com o beijar, queimo do peito à voz e canto-te o tocar.
"Mas, fui feito para me ter para ti.", responde-lhe, na esperança redutível de lhe imaginar o tocar da pele na mais gélida noite do ano.

A alma cede. Cedo-me de espírito na incorporação fatal de te procurar num além desvanecido todas as manhãs. Cedo-me no querer absoluto de te beijar com todas as palavras inimagináveis do mundo.
Sou-te transparente na fragilidade nociva do universo, sou pedir querer-te forasteiro à tua capacidade de me sentir.
E acabo, sempre e desalmadamente, por me deixar render na chamada repentina que te grita para mim.

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