Respiro. Vivo-te na pressa constante do desejar. Vivo-te na inquietação sóbria que o absoluto desejo me permite. Expulso-te pelas palavras. E sobrevives. Sobrevives na esperança de me sobressaltar o ser. E contento-me. Contento-me com a ínfima ideia de te ver chegar.
Quero-te. Quero-te na estupidez irredutível do mundo e no Fado que outrora erradamente nos vincou. Quero-te pelo corpo diáfano à frieza inverosímil do mundo que finjo tocar com todas as palavras insolentes que me são permitidas.
Viveria sem ti. Mas pelo sim, pelo não, vai permanecendo. Vai alimentando a pressa repentina do querer-te que me consome algures onde te fito na introspecção que te aviva à alma.
Enfrento a melancolia atroz que me domina o corpo, impaciente. Alma sedenta de prosa, inofensivos demónios que me habitam. Habito-me. Demónios que me gritam. Grito-me. Ilusão que me veste o corpo, estrondos violentos que me evocam. Respiro-te, enquanto testemunho as minhas horas sombrias.
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