O monstro percorre à queima roupa e retira-me do sono profundo. Acordo, palpito por ti no vazio que me preenche os lençóis e sinto-te na saudade infinita que me incorpora. Escapas-me pelos dedos e perco-te pela luz do dia. Perco-te em aflito chamamento pela tua necessidade, que procura tornar consciente na pele que te reveste.
Reveste-me, cala-me e vai ficando por mim. Fica-me, enquanto te grito o peito ao mundo no desdenhar suave dos cabelos e dos lábios. Aproxima-te e permite-me o tocar.
Desequilibro-me no chão que me foge e fito-te infimamente na vontade de beijar que te entrelaça e respiro do próprio desejo, do que me consome na insónia repleta de vestígios, das lembranças que me deixas e que não somem.
Enfrento a melancolia atroz que me domina o corpo, impaciente. Alma sedenta de prosa, inofensivos demónios que me habitam. Habito-me. Demónios que me gritam. Grito-me. Ilusão que me veste o corpo, estrondos violentos que me evocam. Respiro-te, enquanto testemunho as minhas horas sombrias.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário