Ao nada. Para nada. De nada. Ao nada de tudo aquilo que se me mordia como se de autofagia se tratasse. A tudo o que, dentro de mim, se afogou e outrora se afogara nas mesmas águas.
Não eram monstros da noite, debaixo da cama. Eram monstros, mas dentro de mim, tão penetrados que me fazia pensar que o monstro em si era eu.
E vieste. Entraste na minha vida. Uma luz viva que me rejuvenesceu, luz que dava de respirar às flores que de si dependiam e se embebiam para crescer pelas paredes acima. Paredes, alma; flores, vida; luz, tu.
E que medo atroz que se apodera de mim agora. Medo que rasga, fere, mói, mas não mata. Medo que rouba um pouco de luz, que me deixa uns feixes desta para que as flores não morram mas também não respirem o suficiente, para que o amor de trepar as paredes não perdure.
Obrigado por toda a luz, amor. Mas está a ficar escuro. E quase, sem conseguir, imploro que fiques. Implorar é falso e desonesto, é luz artificial que ressuscita sem nunca abandonar a escuridão.
Por amar tanto a claridade, vivi sob o medo de a perder. E vendei-me com medo que ela fosse embora, como se fosse bom demais, nunca acreditando no que me caía aos pés.
E agora vivo na realidade atroz de que não me elucidas mais porque, afinal, fui eu que coloquei a venda, fui eu quem mergulhou no poço fundo cuja superfície irradiavas.
E, por introspeção, por realizar que a luz fora só minha, que me faria crescer para sempre, tirei a venda. Mas amor, agora está de noite. Está escuro, o frio corre-me pela espinha como uma besta enfurecida e quebra, como gelo, o que tu amorneceste. Foste embora. E não te julgo, não existiam braços que te permitissem brilhar. Tentaste tanto, mas tanto, ceder e mergulhar pelo tecido para retirares a venda que me desabraçava de ti...
Amor.
As flores não crescem mais. As paredes estão despidas. Está frio, anoiteceu tão rápido.
Amo-te.
Enfrento a melancolia atroz que me domina o corpo, impaciente. Alma sedenta de prosa, inofensivos demónios que me habitam. Habito-me. Demónios que me gritam. Grito-me. Ilusão que me veste o corpo, estrondos violentos que me evocam. Respiro-te, enquanto testemunho as minhas horas sombrias.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Desculpa
Vais embora. Uma mensagem de boa noite que sabe a pouco. E venho aqui, escrever, transmitir palavras que não me dizem nada. Palavras simples de sentido nenhum. E o amor também devia ser simples, eu, tu o mundo. Simples.
O passado insiste persistir e perpetua-se ao do que da memória respira no eterno longínquo. O nosso eterno, mas longe.
Perdi-te, porque me perdi, e não posso devolver-te nada do que te dei sem oferecer resistência.
Desculpa.
Pedirei eternamente que me desculpes. Mas já não te quero contida na alma que te quis incondicionalmente. Doeu, é passado, mas fere presentemente; mas ainda vivo por ti.
Nada será vivido com outro ser, nada será tão bom, mas nada repetir-se-à. Permaneço preso a um passado que me acorrenta. É isso, acorrentado, encurralado. O passado entre uma vida contigo.
Amo-te. Desculpa.
O passado insiste persistir e perpetua-se ao do que da memória respira no eterno longínquo. O nosso eterno, mas longe.
Perdi-te, porque me perdi, e não posso devolver-te nada do que te dei sem oferecer resistência.
Desculpa.
Pedirei eternamente que me desculpes. Mas já não te quero contida na alma que te quis incondicionalmente. Doeu, é passado, mas fere presentemente; mas ainda vivo por ti.
Nada será vivido com outro ser, nada será tão bom, mas nada repetir-se-à. Permaneço preso a um passado que me acorrenta. É isso, acorrentado, encurralado. O passado entre uma vida contigo.
Amo-te. Desculpa.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Foste embora, mas estás aqui
Partiste, apenas por umas meras centenas de quilômetros, mas estás aqui. Esqueço o telemóvel, por onde me é possível falar-te, mas ele toca e grita por ti. Não esqueci.
Ainda durmo com a tua almofada ao meu lado, ainda que não a vás ocupar em breve. Ainda não te perdi o cheiro de todas as tardes de verão que ocupaste, que preencheste.
Mudei o quarto: a cama, a secretária, o guarda roupa, o mesa de cabeceira. Nada mudou, respiras bruscamente pelas paredes e remetes àquilo que vivemos.
Chego até a sentir-me meio estupido porque me inibes a fala, roubas-me a expressão, a sanidade e desdenhas tudo o que calmo me torna.
Às vezes até que te odeio. Odeio-te por não me completares, mas por me transbordares.
Odeio-te de tanto te amar e sabe tão bem como mal recordar-te nas horas vazias.
Ainda durmo com a tua almofada ao meu lado, ainda que não a vás ocupar em breve. Ainda não te perdi o cheiro de todas as tardes de verão que ocupaste, que preencheste.
Mudei o quarto: a cama, a secretária, o guarda roupa, o mesa de cabeceira. Nada mudou, respiras bruscamente pelas paredes e remetes àquilo que vivemos.
Chego até a sentir-me meio estupido porque me inibes a fala, roubas-me a expressão, a sanidade e desdenhas tudo o que calmo me torna.
Às vezes até que te odeio. Odeio-te por não me completares, mas por me transbordares.
Odeio-te de tanto te amar e sabe tão bem como mal recordar-te nas horas vazias.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Deixa as metades, faz o que quiseres, MAS AMA
Abandona tudo o que não queres, todas as metades que não desejas.
Ama na íntegra e grita o mundo pelo peito fora. Sai à rua e refaz de maneira diferente. Grita e desdenha, mas ama.
Percute tudo o que guardas dentro de ti e pede a eternidade a quem tenha o mundo para te oferecer, mas ama.
Ama quem partilha as tristezas do mundo, ama quem te faça sentir a única nos 7 bilhões, ama quem seja o chá na constipação de Inverno, ama quem seja a tarde de piscina no calor exuberante de um Verão, ama quem seja o filme, as pipocas, o chocolate quente da tarde mais triste da tua vida, ama quem seja a guloseima irresistível da dieta que começaste no dia anterior, ama hiperbolicamente até que doa. Ama, ama não-metades, ama tudo, com tudo, ama até te sentires embeber na saudade, sequencialmente, incondicionalmente. Ama, comete o erro de ambicionar cegamente.
Ama sem te limitares e assustares. Faz como entenderes, MAS AMA, porque mesmo que um dia acabe na solidão obscura do mundo, sentiste o que meio universo não soube provar.
Ama na íntegra e grita o mundo pelo peito fora. Sai à rua e refaz de maneira diferente. Grita e desdenha, mas ama.
Percute tudo o que guardas dentro de ti e pede a eternidade a quem tenha o mundo para te oferecer, mas ama.
Ama quem partilha as tristezas do mundo, ama quem te faça sentir a única nos 7 bilhões, ama quem seja o chá na constipação de Inverno, ama quem seja a tarde de piscina no calor exuberante de um Verão, ama quem seja o filme, as pipocas, o chocolate quente da tarde mais triste da tua vida, ama quem seja a guloseima irresistível da dieta que começaste no dia anterior, ama hiperbolicamente até que doa. Ama, ama não-metades, ama tudo, com tudo, ama até te sentires embeber na saudade, sequencialmente, incondicionalmente. Ama, comete o erro de ambicionar cegamente.
Ama sem te limitares e assustares. Faz como entenderes, MAS AMA, porque mesmo que um dia acabe na solidão obscura do mundo, sentiste o que meio universo não soube provar.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Veneras em repouso
Percute-me e abandonas o real em sossego. Respiro e pouso. Relembro o sabor insípido de tudo o que beijamos. Relembro o fictício punhal gélido que te coloca em movimento e peço que expurgues o irrevogável traçado na resposta palavreada em que te embalo.
Desdenho e reponho em claro branco e desalmo-me no testemunho em que dificilmente te pronuncias.
Cubro o que de intocável me é e chegas-me sobre eloquência do sensível e restas de um modo que me surpreende.
Pouco me é o que constitui para te conter e vives em inquieto que estronda ao sentir do mundo que morrerá por descobrir. Permito-me reclamar-te de todo o feitio e respiras à beira do que não deteto, do incapaz de influenciar e do que me foge ao toque das mãos. É-me perpétuo a necessidade de conter enquanto ficas, enquanto veneras em repouso.
Desdenho e reponho em claro branco e desalmo-me no testemunho em que dificilmente te pronuncias.
Cubro o que de intocável me é e chegas-me sobre eloquência do sensível e restas de um modo que me surpreende.
Pouco me é o que constitui para te conter e vives em inquieto que estronda ao sentir do mundo que morrerá por descobrir. Permito-me reclamar-te de todo o feitio e respiras à beira do que não deteto, do incapaz de influenciar e do que me foge ao toque das mãos. É-me perpétuo a necessidade de conter enquanto ficas, enquanto veneras em repouso.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
À alma não lhe convém o sentido
À alma não lhe convém o passível de ser sentido. Repara e pára, gélida e em sossego. Repensa e respira. Desentranha absolutamente a adrenalina que me corre as veias de todas as formas possíveis de o fazer. Desdenha e repercute-me tudo o que não te é possível transmitir. Pele incapaz de, espiritualmente, me possuir. É estrondo violento que me recorre o passível de ser suportado e decorres no fluxo natural do silêncio que me conduz à introspecção irreparável da suficiência.
Abandonas euforia quando tudo à calma se assemelha e ao pânico que também vem, a calma incapaz és de refutar.
Tenho sentido a decadência que bate à porta no alimento fraco que mascara a impossibilidade pura e diária do enegrecido na podridão virtual da nossa sede.
O universo reduz-me ao segredo complexo do que nunca possuí, testemunho o ínfimo que teima em permanecer-te e que pouco cataboliza no grito que à alma me reclama.
À alma, ao sentido que pouco lhe convém.
Abandonas euforia quando tudo à calma se assemelha e ao pânico que também vem, a calma incapaz és de refutar.
Tenho sentido a decadência que bate à porta no alimento fraco que mascara a impossibilidade pura e diária do enegrecido na podridão virtual da nossa sede.
O universo reduz-me ao segredo complexo do que nunca possuí, testemunho o ínfimo que teima em permanecer-te e que pouco cataboliza no grito que à alma me reclama.
À alma, ao sentido que pouco lhe convém.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Demasiado intimo para se transmitir
É eloquente. Respira, fala, ri e retira-me todo o chão em que me sustenho.
Relembra-me extravagância que me totaliza a adrenalina e diverge do que esperei suportar. Fito-te exigir pelo permanecer mais próprio de ser. Fito-te relatar tudo o que meus ouvidos sedem para ouvir. Espero. Espero e embebo-me na decadência prematura que nunca te viu chegar. Embebo-me na expiração ofegante que te resgata na presença da minha própria palpitação cardíaca.
Fazes com que todas as palavras fujam de mim, palavras demasiado intimas para se transmitirem.
Relembra-me extravagância que me totaliza a adrenalina e diverge do que esperei suportar. Fito-te exigir pelo permanecer mais próprio de ser. Fito-te relatar tudo o que meus ouvidos sedem para ouvir. Espero. Espero e embebo-me na decadência prematura que nunca te viu chegar. Embebo-me na expiração ofegante que te resgata na presença da minha própria palpitação cardíaca.
Fazes com que todas as palavras fujam de mim, palavras demasiado intimas para se transmitirem.
sexta-feira, 27 de março de 2015
Pressa repentina de ti
Respiro. Vivo-te na pressa constante do desejar. Vivo-te na inquietação sóbria que o absoluto desejo me permite. Expulso-te pelas palavras. E sobrevives. Sobrevives na esperança de me sobressaltar o ser. E contento-me. Contento-me com a ínfima ideia de te ver chegar.
Quero-te. Quero-te na estupidez irredutível do mundo e no Fado que outrora erradamente nos vincou. Quero-te pelo corpo diáfano à frieza inverosímil do mundo que finjo tocar com todas as palavras insolentes que me são permitidas.
Viveria sem ti. Mas pelo sim, pelo não, vai permanecendo. Vai alimentando a pressa repentina do querer-te que me consome algures onde te fito na introspecção que te aviva à alma.
Quero-te. Quero-te na estupidez irredutível do mundo e no Fado que outrora erradamente nos vincou. Quero-te pelo corpo diáfano à frieza inverosímil do mundo que finjo tocar com todas as palavras insolentes que me são permitidas.
Viveria sem ti. Mas pelo sim, pelo não, vai permanecendo. Vai alimentando a pressa repentina do querer-te que me consome algures onde te fito na introspecção que te aviva à alma.
terça-feira, 17 de março de 2015
À insónia repleta de ti.
O monstro percorre à queima roupa e retira-me do sono profundo. Acordo, palpito por ti no vazio que me preenche os lençóis e sinto-te na saudade infinita que me incorpora. Escapas-me pelos dedos e perco-te pela luz do dia. Perco-te em aflito chamamento pela tua necessidade, que procura tornar consciente na pele que te reveste.
Reveste-me, cala-me e vai ficando por mim. Fica-me, enquanto te grito o peito ao mundo no desdenhar suave dos cabelos e dos lábios. Aproxima-te e permite-me o tocar.
Desequilibro-me no chão que me foge e fito-te infimamente na vontade de beijar que te entrelaça e respiro do próprio desejo, do que me consome na insónia repleta de vestígios, das lembranças que me deixas e que não somem.
Reveste-me, cala-me e vai ficando por mim. Fica-me, enquanto te grito o peito ao mundo no desdenhar suave dos cabelos e dos lábios. Aproxima-te e permite-me o tocar.
Desequilibro-me no chão que me foge e fito-te infimamente na vontade de beijar que te entrelaça e respiro do próprio desejo, do que me consome na insónia repleta de vestígios, das lembranças que me deixas e que não somem.
Vincos de lembrança
Invoco espírito foragido que insiste no relembrar-te. Espírito cantante que me soa a ti. Espírito que invade abismo atordoado de sede.
Sede.
Sede, de um pouco de ti e de te ver permanecer. Espírito errante que em ti desvenda ponto fixo inverosímil, mas que oferece esperança ao desejo.
Procuro-te, preciso-te na fragilidade nua da alma. Sou um todo insuficiente para toda esta capacidade de te possuir. Mas vou tentando. Vou procurando por ti na vida que me recusa a estabilidade e vou relembrando aquilo que nunca marcaste, no sentir ambíguo que não me deixaste e no paradoxo do todo que me abandonaste, que me leva de volta para ti.
Sede.
Sede, de um pouco de ti e de te ver permanecer. Espírito errante que em ti desvenda ponto fixo inverosímil, mas que oferece esperança ao desejo.
Procuro-te, preciso-te na fragilidade nua da alma. Sou um todo insuficiente para toda esta capacidade de te possuir. Mas vou tentando. Vou procurando por ti na vida que me recusa a estabilidade e vou relembrando aquilo que nunca marcaste, no sentir ambíguo que não me deixaste e no paradoxo do todo que me abandonaste, que me leva de volta para ti.
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