Invoco espírito foragido que insiste no relembrar-te. Espírito cantante que me soa a ti. Espírito que invade abismo atordoado de sede.
Sede.
Sede, de um pouco de ti e de te ver permanecer. Espírito errante que em ti desvenda ponto fixo inverosímil, mas que oferece esperança ao desejo.
Procuro-te, preciso-te na fragilidade nua da alma. Sou um todo insuficiente para toda esta capacidade de te possuir. Mas vou tentando. Vou procurando por ti na vida que me recusa a estabilidade e vou relembrando aquilo que nunca marcaste, no sentir ambíguo que não me deixaste e no paradoxo do todo que me abandonaste, que me leva de volta para ti.
Enfrento a melancolia atroz que me domina o corpo, impaciente. Alma sedenta de prosa, inofensivos demónios que me habitam. Habito-me. Demónios que me gritam. Grito-me. Ilusão que me veste o corpo, estrondos violentos que me evocam. Respiro-te, enquanto testemunho as minhas horas sombrias.
terça-feira, 17 de março de 2015
"Rendo-me-te"
Acabo por me render. A esperança cessa-me no poder estapafúrdico do querer. Sinto-te na introspecção sádica à pele que me gela de arrepio. Alimento-me do pairar nostálgico que se faz pesar na consciência que te tenta trazer.
Indigno por ti entre a mistura divergente da solidão com o beijar, queimo do peito à voz e canto-te o tocar.
"Mas, fui feito para me ter para ti.", responde-lhe, na esperança redutível de lhe imaginar o tocar da pele na mais gélida noite do ano.
A alma cede. Cedo-me de espírito na incorporação fatal de te procurar num além desvanecido todas as manhãs. Cedo-me no querer absoluto de te beijar com todas as palavras inimagináveis do mundo.
Sou-te transparente na fragilidade nociva do universo, sou pedir querer-te forasteiro à tua capacidade de me sentir.
E acabo, sempre e desalmadamente, por me deixar render na chamada repentina que te grita para mim.
Indigno por ti entre a mistura divergente da solidão com o beijar, queimo do peito à voz e canto-te o tocar.
"Mas, fui feito para me ter para ti.", responde-lhe, na esperança redutível de lhe imaginar o tocar da pele na mais gélida noite do ano.
A alma cede. Cedo-me de espírito na incorporação fatal de te procurar num além desvanecido todas as manhãs. Cedo-me no querer absoluto de te beijar com todas as palavras inimagináveis do mundo.
Sou-te transparente na fragilidade nociva do universo, sou pedir querer-te forasteiro à tua capacidade de me sentir.
E acabo, sempre e desalmadamente, por me deixar render na chamada repentina que te grita para mim.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
Querer o que não se pode ter
Fico, apenas agora, ciente do que o real me proporciona.
Escrevo pela tristeza ou pela falta do feliz? Escrevo pela solidão ou pela falta de amor?
Porque escrevo bem melhor quando estás por perto. Preenches-me e preenches as palavras.
Não me esvazies. Não me deixes as palavras por respirar e faz delas o teu quarto, onde se pincelam entre quatro paredes que não as solta.
Escrevo por te querer ou pela tua falta? Preciso que regresses, mesmo que nunca tivesses estado realmente aqui, do teu relembrar do que é desejar, embora não te possa conter. Estou ciente.
Estou ciente de que te quero de peito aberto sem o poder habitar verdadeiramente, de que ficarei como palavras cansadas sem qualquer efeito.
És-me como música aos ouvidos. És-me corpo e alma num corpo outrora preenchido, embora ciente, de que te quero e não posso ter.
Escrevo pela tristeza ou pela falta do feliz? Escrevo pela solidão ou pela falta de amor?
Porque escrevo bem melhor quando estás por perto. Preenches-me e preenches as palavras.
Não me esvazies. Não me deixes as palavras por respirar e faz delas o teu quarto, onde se pincelam entre quatro paredes que não as solta.
Escrevo por te querer ou pela tua falta? Preciso que regresses, mesmo que nunca tivesses estado realmente aqui, do teu relembrar do que é desejar, embora não te possa conter. Estou ciente.
Estou ciente de que te quero de peito aberto sem o poder habitar verdadeiramente, de que ficarei como palavras cansadas sem qualquer efeito.
És-me como música aos ouvidos. És-me corpo e alma num corpo outrora preenchido, embora ciente, de que te quero e não posso ter.
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Tenho esperado por ti
Tenho esperado por ti. Alma com amor. Amor com alma. Tenho esperado por ti.
Vem e reduz-me àquilo em que te queres conter. Vem e reduz-me ao do que o teu mundo é feito.
"Dói viver na incapacidade de não revelar a quem escrevo."
Sinto-me receio ardente dos pés à cabeça de não te possuir nas palavras. Ou de não me possuíres nas tuas.
Quero-te por esperar-te e pela impossibilidade de poder ter. Quero-te por todas as razões que me justifiquem não querer.
Vejo-te chegar, mas acabas por partir de novo, abandonando-me na solidão mais inverosímil da consciência humana. Repeles-me de forma constante e fria como se ninguém no mundo te conseguisse decifrar. E talvez seja verdade, talvez ninguém consiga.
Viverei pedindo que me deixes tentar. Que me deixes ler, perceber, que me permitas viver e chorar cada palavra tua.
Continua. Continuo na esperança desalmada de não contar a quem escrevo, de não te conter as palavras na alma e o espírito que desejo desdenhar nos braços.
Quero-te, quero-te para não me fugires na certeza pouco certa de cada palavra minha que te gera entrega.
Vem e reduz-me àquilo em que te queres conter. Vem e reduz-me ao do que o teu mundo é feito.
"Dói viver na incapacidade de não revelar a quem escrevo."
Sinto-me receio ardente dos pés à cabeça de não te possuir nas palavras. Ou de não me possuíres nas tuas.
Quero-te por esperar-te e pela impossibilidade de poder ter. Quero-te por todas as razões que me justifiquem não querer.
Vejo-te chegar, mas acabas por partir de novo, abandonando-me na solidão mais inverosímil da consciência humana. Repeles-me de forma constante e fria como se ninguém no mundo te conseguisse decifrar. E talvez seja verdade, talvez ninguém consiga.
Viverei pedindo que me deixes tentar. Que me deixes ler, perceber, que me permitas viver e chorar cada palavra tua.
Continua. Continuo na esperança desalmada de não contar a quem escrevo, de não te conter as palavras na alma e o espírito que desejo desdenhar nos braços.
Quero-te, quero-te para não me fugires na certeza pouco certa de cada palavra minha que te gera entrega.
domingo, 1 de fevereiro de 2015
Que permaneças
Tenho tanto para viver. E o dia acaba numa solidão imensa que me preenche o quarto. Solidão que luta num passo acelerado para desvanecer. Porém, encontra porto de abrigo que a faz respirar. E permanece. Permanece enquanto te sinto a falta num peito que nada de arrítmico tem. Permanece enquanto sinto a falta de tudo aquilo que também faltou antes.
Cala-te, cala-me. Silêncio.
Adormeço na esperança pouco credível de não te fitar pela manhã. Na manhã seguinte acordo na esperança de não te fitar na próxima.
Quero-te. Quero-te com toda a companhia que a minha solidão tem para te oferecer.
Cala-te, cala-me. Silêncio.
Adormeço na esperança pouco credível de não te fitar pela manhã. Na manhã seguinte acordo na esperança de não te fitar na próxima.
Quero-te. Quero-te com toda a companhia que a minha solidão tem para te oferecer.
domingo, 5 de outubro de 2014
Viver na diagonal
Questiono-me se ainda pensas em mim
tanto como eu penso em ti. Questiono-me se te perguntas de que ar respiro no
sumiço inexorável em que abandonaste. Questiono-me ainda, de que ar respiras tu
se esse ar não é também um pouco do meu. De que te sustentas agora que estou
infinitamente ausente?
Questiono-me. Porque parece que nunca chegaste a ir embora. Continuas aqui. Ainda estás aqui presente, repugnantemente presente num sufoco que me silencia desesperadamente.
E espero que um dia vás embora, que nunca mais voltes, porque nunca precisei que me deixasses a sobreviver em dias que não presencias.
Questiono-me. Porque parece que nunca chegaste a ir embora. Continuas aqui. Ainda estás aqui presente, repugnantemente presente num sufoco que me silencia desesperadamente.
E espero que um dia vás embora, que nunca mais voltes, porque nunca precisei que me deixasses a sobreviver em dias que não presencias.
terça-feira, 4 de março de 2014
Medo em palavras
Acordei rodeado por medos, acordei e abandonei-me a mim próprio na frieza magoada do teu toque.
Não quero aprender a amar-te no sabor amargo da tua ausência.
Não quero nada parecer egoísta, mas de tudo o que mais me poderia aterrorizar neste mundo, ver-te sorrir na minha falta, seria aterrorizante.
Quero falar-te, quero dizer-te algo que te faça ficar, porque afinal, não há nada que me faça mais feliz que ver-te permanecer, mesmo quando todas as razões do mundo para não o fazeres tentaram falar mais alto.
Por favor.
Não vás. Não vás, porque se existe algo neste mundo que me faça respirar com tanta força e com tanta vontade, és tu.
Não quero aprender a amar-te no sabor amargo da tua ausência.
Não quero nada parecer egoísta, mas de tudo o que mais me poderia aterrorizar neste mundo, ver-te sorrir na minha falta, seria aterrorizante.
Quero falar-te, quero dizer-te algo que te faça ficar, porque afinal, não há nada que me faça mais feliz que ver-te permanecer, mesmo quando todas as razões do mundo para não o fazeres tentaram falar mais alto.
Por favor.
Não vás. Não vás, porque se existe algo neste mundo que me faça respirar com tanta força e com tanta vontade, és tu.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2014
Não te sei explicar ao certo
Não te sei dizer ao certo quando, onde, como ou porquê. Não te sei dizer ao certo a primeira coisa que me passou pela cabeça quando me sorriste pela primeira vez, não sei explicar o quão bonito foi possuir aquele sentir tão meu, um sentir só meu por ti.
Mas o medo pernoitava em mim. Medo que encontrasses em mim algo que não pretendesses manter contigo, medo de não ser o que sempre idealizaste para a tua vida.
Não te sei explicar o quão único cada pormenor teu é perfeito aos meus olhos, eu próprio não consigo compreender a força sobre-humana com que me fazes querer-te.
Não te sei explicar ao certo o vazio que me habita na tua ausência, nem o quanto esse vazio tortura.
"Não há nada como nós, não há nada como eu e tu, juntos".
Não te sei explicar ao certo o quanto desejo uma eternidade, algures, que nos pertença. Uma eternidade que nos mantenha juntos, tanto física como mentalmente, porque afinal, acredito que as nossas almas se salvam mutuamente todos os dias, que respiram em simultâneo, que vivem uma pela outra e que são preenchidas por uma impossibilidade que não as faça parar de se desejarem. Porque apesar da distância que nos impede o toque, contento-me com a certeza de que estamos sob o mesmo céu, a respirar a vontade de beijar os lábios de que sentimos tanta saudade.
Não te sei explicar ao certo o quanto desejo uma eternidade, algures, que nos pertença. Uma eternidade que nos mantenha juntos, tanto física como mentalmente, porque afinal, acredito que as nossas almas se salvam mutuamente todos os dias, que respiram em simultâneo, que vivem uma pela outra e que são preenchidas por uma impossibilidade que não as faça parar de se desejarem. Porque apesar da distância que nos impede o toque, contento-me com a certeza de que estamos sob o mesmo céu, a respirar a vontade de beijar os lábios de que sentimos tanta saudade.
Não te sei explicar ao certo o sentido de tudo o que acabei de te escrever, porque afinal, o que sinto por ti resume-se a isso mesmo: inexplicável.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Liberdade mental
Traz-me paz, traz-me paz à alma e apazigua-me a saudade. Traz-me amor, transforma a saudade que me alimenta em, apenas, amor.
Vem, vem e permanece, permanece de vez porque tudo o que o respirar me ensinou foi, inconsequentemente, a fugir.
Vem, como felicidade, como porto de abrigo: vem como onde quero estar.
Imploro-te que fiques, porque afinal, és-me liberdade mental.
Vem, vem e permanece, permanece de vez porque tudo o que o respirar me ensinou foi, inconsequentemente, a fugir.
Vem, como felicidade, como porto de abrigo: vem como onde quero estar.
Imploro-te que fiques, porque afinal, és-me liberdade mental.
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Mil anos
Ele voltou a sonhar com ela, porque afinal nunca a esqueceu. Ele voltou a recordar as mesmas memórias, as melodias que os bebiam:
"A praia torna-se nostálgica na tua ausência: o vento soa a ti, o mar grita-me o teu nome. Queria-te ali comigo, a enfrentar a eternidade.
Guardei algures o que mais temia, "algures" esse repleto de ti e de todos os ínfimos pormenores que segredámos. Medo, medo que encontrasses em mim algo que não pretendesses manter contigo.
Prometeste-me os próximos mil anos, que acredito que ainda nos pertencerão."
Tudo o que ele queria era que ela lesse tudo o que ele já lhe escrevera e que se identificasse em cada insignificante palavra e que cada uma soasse, perfeitamente, a amor.
"A praia torna-se nostálgica na tua ausência: o vento soa a ti, o mar grita-me o teu nome. Queria-te ali comigo, a enfrentar a eternidade.
Guardei algures o que mais temia, "algures" esse repleto de ti e de todos os ínfimos pormenores que segredámos. Medo, medo que encontrasses em mim algo que não pretendesses manter contigo.
Prometeste-me os próximos mil anos, que acredito que ainda nos pertencerão."
Tudo o que ele queria era que ela lesse tudo o que ele já lhe escrevera e que se identificasse em cada insignificante palavra e que cada uma soasse, perfeitamente, a amor.
Subscrever:
Mensagens (Atom)