Tenho tanto para viver. E o dia acaba numa solidão imensa que me preenche o quarto. Solidão que luta num passo acelerado para desvanecer. Porém, encontra porto de abrigo que a faz respirar. E permanece. Permanece enquanto te sinto a falta num peito que nada de arrítmico tem. Permanece enquanto sinto a falta de tudo aquilo que também faltou antes.
Cala-te, cala-me. Silêncio.
Adormeço na esperança pouco credível de não te fitar pela manhã. Na manhã seguinte acordo na esperança de não te fitar na próxima.
Quero-te. Quero-te com toda a companhia que a minha solidão tem para te oferecer.
Enfrento a melancolia atroz que me domina o corpo, impaciente. Alma sedenta de prosa, inofensivos demónios que me habitam. Habito-me. Demónios que me gritam. Grito-me. Ilusão que me veste o corpo, estrondos violentos que me evocam. Respiro-te, enquanto testemunho as minhas horas sombrias.
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